Por Paula Martins, Gestora de Crédito Xfin PMR Solutions

O que já está a mudar (e o que vem a seguir) para quem quer comprar casa?

Durante décadas, a decisão de conceder crédito habitação dependia essencialmente de três fatores: rendimento do cliente, estabilidade profissional e valor do imóvel. Mas este paradigma está a mudar.

Nos últimos anos, os bancos passaram a integrar um novo elemento na análise de risco: o risco climático associado ao próprio imóvel.

O alerta surge de forma clara no Relatório de 2025 sobre a Exposição do Setor Bancário ao Risco Climático, publicado pelo Banco de Portugal no âmbito da Lei de Bases do Clima: os fenómenos climáticos extremos já fazem parte da avaliação do risco bancário no crédito à habitação.

Estamos a falar de gestão prudencial de risco bancário. Para um banco, o imóvel não é apenas a casa do cliente. É a garantia do empréstimo.

Sempre que o valor dessa garantia possa ser afetado por fatores externos, como incêndios, cheias ou tempestades, o risco da operação aumenta.

Nos últimos anos, eventos extremos tornaram-se mais frequentes, como grandes incêndios florestais, episódios de precipitação intensa com inundações urbanas e tempestades severas. Veja-se o que aconteceu recentemente com a tempestade Kristin, que provocou danos estruturais em edifícios e infraestruturas.

Do ponto de vista bancário, a questão é simples: se um evento climático reduzir o valor de mercado de um imóvel, o risco do crédito aumenta. É por isso que a análise do imóvel está a tornar-se cada vez mais detalhada.

O risco climático já afeta o crédito habitação?

Os bancos analisam duas dimensões em paralelo: o perfil financeiro do comprador e o perfil de risco do imóvel.
Na prática, isto significa que fatores como localização geográfica, exposição a riscos naturais e vulnerabilidade territorial começam a ter impacto na decisão de financiamento.

Entre os aspetos que as instituições financeiras já analisam com maior detalhe estão a localização exata do imóvel, a proximidade de zonas florestais, a exposição a incêndios, inundações ou tempestades intensas e o impacto potencial desses riscos no valor da garantia hipotecária.

Os reguladores europeus são claros: a integração do risco climático no sistema financeiro vai intensificar-se nos próximos anos, pois estes fenómenos afetam diretamente o valor do imóvel dado em garantia.

O que pode mudar nos próximos anos?

A mudança será progressiva, mas com efeitos concretos:
  • Em determinadas zonas, os bancos podem exigir coberturas mais robustas de seguros multirriscos ou de fenómenos naturais;
  • Imóveis localizados em áreas consideradas mais vulneráveis podem ter avaliações mais prudentes;
  • O rácio financiamento/valor do imóvel (LTV) pode ser mais baixo em zonas de risco elevado;
  • Áreas rurais, zonas costeiras ou regiões com histórico de incêndios ou cheias podem ser analisadas com maior detalhe.
Estas alterações decorrem de novas exigências regulatórias europeias que vão entrar em vigor.

Que riscos climáticos o Banco de Portugal reconhece?

De forma consistente nos relatórios mais recentes, são identificados seis riscos físicos principais: incêndios, inundações, stress hídrico, stress térmico, subida do nível do mar e tempestades.

O setor bancário já utiliza modelos geoespaciais de risco climático, como por exemplo, mapas de risco de incêndio florestal, mapas de cheias, mapas de erosão costeira, projeções de eventos meteorológicos extremos. E isto pode afetar diretamente a aceitação do crédito, LTV máximo e a exigência de seguros.

Temos ainda os sismos, que não são riscos climáticos, mas que integram a lista de eventos relevantes para a banca.
O que importa é o impacto potencial no valor do imóvel e no risco colateral e, na prática bancária, os sismos entram também na análise através da avaliação do imóvel e seguros em função da localização em zonas sísmicas conhecidas (Lisboa, Vale do Tejo, Algarve).

Onde entra a Xfin PMR Solutions?

Na Xfin PMR Solutions antecipamos estas tendências e ajudamos os nossos clientes, porque a análise bancária está a tornar-se mais complexa. Taxa de juro, prazo e taxa de esforço continuam a ser fatores decisivos, mas a natureza do imóvel e o risco territorial associado começam também a contar.
Temos de evoluir e ajudar os clientes a compreender como os bancos avaliam o risco do imóvel, escolher soluções de crédito ajustadas ao perfil financeiro e ao perfil do imóvel e negociar condições com base numa análise completa, atual e estratégica.

 Crédito habitação não é só taxa e prazo.
É estratégia.